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Lisboa não é portuguesa, é do mundo

A globalização económica das últimas décadas tem alterado o paradigma da competitividade passando as grandes cidades a ter um papel mais importante que os próprios países. Lisboa é hoje em dia uma cidade global que compete no panorama internacional com outras grandes cidades, sendo, por muito que nos custe, cada vez menos portuguesa e cada vez mais europeia, cada vez mais mundial.

Este movimento começou com a globalização de bens e serviços. Desde há largos anos atrás, deixou de fazer sentido ir ao estrangeiro para fazer compras porque as lojas que se encontram em Londres ou Paris são as mesmas que encontramos em Lisboa (claro que há algumas diferenças, mas pretendemos ilustrar a ideia). As multinacionais de serviços passaram também elas a ter presença física em todas as grandes cidades globais.

Atualmente, assistimos à globalização de movimentação das pessoas, ou deslocalização, como queiramos designar. A União Europeia criou o livre movimento de pessoas e bens, mas tardou até que os cidadãos europeus aproveitassem as vantagens da movimentação interna, como a possibilidade de estudar noutra cidade, trabalhar uns anos fora, ou mesmo aproveitar as vantagens de abrir uma empresa num novo destino onde abundam talentos mais baratos e o clima é melhor. Durante muito tempo, vivemos presos às fronteiras físicas, coisa que hoje já faz pouco sentido.

Lisboa, joga atualmente neste xadrez, e compete (e colabora) com outras cidades globais como Madrid, Barcelona, Berlim, Paris, Milão, Londres, Amsterdão, Praga, Viena, Copenhaga, Estocolmo, etc… Compete ao nível da atração de start-ups com os seus hubs de qualidade mundial, de estudantes para as suas excelentes Business Schools, de congressos aproveitando as excelentes infra-estruturas e capacidade hoteleira, de turismo que procura alta-cozinha a preços razoáveis, os excelentes festivais com artistas de primeiro plano, uma cidade acolhedora de pessoas simpáticas, excelente clima, conteúdos, e, claro está, compete ao nível do investimento imobiliário.

Este efeito, está a transformar o centro da cidade de Lisboa, onde os estrangeiros são cada vez mais e os portugueses cada vez menos, onde se ouve mais inglês e outras línguas estrangeiras do que português. Este fenómeno já existia noutras cidades globais, talvez tenha tardado a chegar a Lisboa.
Independentemente de qualquer juízo de valor que se faça sobre esta situação, e não é nossa missão fazê-lo aqui, esta é a realidade à qual temos que nos adaptar e definir as melhores estratégias para ajudar os nossos clientes a conseguir os melhores resultados.

À luz deste novo quadro, quando analisamos a evolução dos preços do imobiliário no centro de Lisboa, temos de os analisar comparativamente a outras cidades globais e não relativamente à Lisboa “portuguesa” do passado e à realidade do país.

Já não podemos pensar numa realidade dominada pelo perfil do casal de portugueses que compra casa para habitar no centro da cidade. Porque, quer se aceite ou não, essa já não é a realidade, e muito provavelmente nunca mais será.

A realidade atual é a dos fundos de investimento que compram ativos para reabilitação e transformação em hotéis, escritórios e residências de características premium para vender a clientes sofisticados, que por sua vez avaliam investir numa propriedade para arrendamento em Lisboa, Barcelona ou Amsterdão. São os clientes estrangeiros que querem comprar casa na Europa e olham para os preços proibitivos de Paris, Londres ou Milão e conseguem em Lisboa um apartamento de qualidade premium por uma fração do preço. E ficam a 2h30 de distância dessas cidades com ligações por avião a quase todas as horas. São os pequenos investidores de países em frágeis situações económico-políticas, como a Turquia, o Brasil, a Áfria do Sul, alguns países asiáticos, etc, que querem ter um Plano B, que lhes permita refugiar-se na Europa caso a situação se descontrole e aproveitam o programa Golden Visa. São os reformados europeus do norte da Europa, que descobriram as vantagens de viver num clima mais agradável, com excelente oferta de serviços de saúde, gastronomia e lazer, e aumentando a liquidez das suas reformas graças ao estatuto do Residente Não Habitual.